domingo, 15 de abril de 2007

Nossa dívida com o Futuro

“Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. De sorte que, quanto está em mim, estou pronto para vos anunciar o evangelho, também a vós que estais em Roma”. Romanos 1:14-15

Paulo, como apóstolo da Graça de Deus, sabia que sua dívida com Deus havia sido quitada na Cruz. Entretanto, ele reconhece uma nova dívida, contraída no momento em que o Senhor o salvou e o constituiu “apóstolo” aos gentios.

Todos tínhamos uma dívida com o passado, e agora, temos uma dívida com o futuro.Tínhamos uma dívida com Deus, e agora, temos uma dívida com o mundo.

De onde veio essa consciência em Paulo? Ele mesmo responde:

“Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus. Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas, por esta mesma razão, me foi concedida misericórdia, para que, em mim, o principal, evidenciasse Jesus Cristo a sua completa longanimidade, e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna”. 1 Timóteo 1:12-16.

Paulo sabia que o Senhor o escolhera e salvara para que seu testemunho servisse de modelo à todos quanto fossem alcançados pelo Evangelho. Pregar o Evangelho não era algo facultativo, mas uma obrigação.

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! Se o faço de livre vontade, tenho galardão; mas, se constrangido, é, então, a responsabilidade de despenseiro que me está confiada. Nesse caso, qual é o meu galardão? É que, evangelizando, proponha, de graça, o evangelho, para não me valer do direito que ele me dá. Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Procedi, para com os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei. Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns. Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele”. 1 Coríntios 9:16-23.

Não importava o preço que teria que ser pago, Paulo estava disposto a tudo para cumprir sua missão. Nem mesmo sua vida era tida por valiosa, em comparação à sua missão.“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (At.20:24). Apesar de ser uma “obrigação”, Paulo cumpria com “alegria” o seu ministério. Não era apenas uma obrigação, mas uma “graça”, um privilégio.

“Fui feito ministro deste evangelho, segundo o dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas insondáveis de Cristo” (Efésios 3:7-8).Tal sentimento deveria pulsar no coração de cada cristão. Somos todos devedores, e não temos alternativa, senão, anunciarmos o Evangelho indistintamente.

O que ocorre quando não cumprimos nosso dever de evangelizar o Mundo?

“Certa mulher, das mulheres dos discípulos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que ele temia ao SENHOR. É chegado o credor para levar os meus dois filhos para lhe serem escravos. Eliseu lhe perguntou: Que te hei de fazer? Dize-me que é o que tens em casa. Ela respondeu: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite. Então, disse ele: Vai, pede emprestadas vasilhas a todos os teus vizinhos; vasilhas vazias, não poucas. Então, entra, e fecha a porta sobre ti e sobre teus filhos, e deita o teu azeite em todas aquelas vasilhas; põe à parte a que estiver cheia. Partiu, pois, dele e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos; estes lhe chegavam as vasilhas, e ela as enchia. Cheias as vasilhas, disse ela a um dos filhos: Chega-me, aqui, mais uma vasilha. Mas ele respondeu: Não há mais vasilha nenhuma. E o azeite parou. Então, foi ela e fez saber ao homem de Deus; ele disse: Vai, vende o azeite e paga a tua dívida; e, tu e teus filhos, vivei do resto”. 2 Reis 4:1-7.

Aquele “discípulo dos profetas” morrera, mas deixara uma dívida para a sua família. E seus credores queriam nada mais nada menos que os seus filhos, como pagamento da dívida. Assim também, quando não pagamos nossa dívida com o mundo, muitas vezes, nossos filhos são tomados como pagamento.

Por que há tantos filhos de crentes afastados do Caminho? Não adianta sermos discípulos de um grande profeta, ou apenas temermos ao Senhor. Não sabemos quando deixaremos este mundo, e por isso, urge gastarmos cada momento de nossa vida, no cumprimento de nossa missão. Não podemos deixar uma dívida para trás, para que nossos filhos sejam dados como pagamento. Gerações inteiras de cristãos deixaram este mundo sem cumprir cabalmente sua missão.

Estamos pagando pela dívida que estas gerações nos deixaram. Por que o mundo está tão violento? Por que tantas guerras? Tanta fome? A Igreja tem sido negligente em sua missão. Desde que surgiu o boato de que Cristo estaria prestes a voltar, e que Seu retorno resultaria no fim do mundo, a Igreja cruzou os braços, e entregou o mundo às baratas. E o pior é que esse “boato” se tornou doutrina e ortodoxia.

Eliseu perguntou àquela mullher o que ela tinha em sua casa. Uma botija de óleo, era tudo que ela possuía. Aos olhos do profeta, aquilo seria o ponto de partida.Cremos que Deus pretende restaurar o Mundo. Mas qual será o ponto de partida desta restauração? Aquilo que temos em casa: nossos filhos, nossa família.Nossa família é nossa botija de óleo. Nossos filhos são nossa contribuição particular para um mundo melhor. Mas não podemos parar aí. Ela é o ponto de partida, mas não é a linha de chegada.

Eliseu mandou que aquela mulher fosse aos vizinhos, e recolhesse o maior número possível de vasilhas vazias. E o que ela fez? Enviou os seus filhos.Precisamos conscientizar nossos filhos de que eles são nossos “enviados especiais”, nossos missionários, nossa extensão.São eles que vão buscar “vasilhas” na escola, na faculdade, na vizinhança, na parentela. Tragas as vasilhas, seguindo à orientação do profeta, ela fechou a porta sobre si e seus filhos, e começou aencher as vasilhas, com o óleo que havia em sua pequena botija. À medida que as vasilhas eram cheias, ela as separava das demais. Esse é o processo de santificação.

O Espírito Santo enche e separa. A Igreja deve ser constantemente enviada ao mundo, mas jamais pode negligenciar a santificação. As vasilhas chegam vazias, são cheias e depois, separadas.“Fechar a porta” também aponta para a importância do culto familiar, do Altar Doméstico. Enquanto havia vasilhas vazias, o óleo não parava de jorrar. Mas quando as vasilhas acabaram, o óleo cessou.“Fechar as portas” oferece benefícios e riscos. Devemos fechá-las, mas não trancá-las. Não podemos impedir o fluxo de novas vasilhas. Se elas pararem de chegar, o óleo vai parar de fluir.Não há limites para Deus. Há óleo suficiente para encher todas as vasilhas do Mundo!


Nossa dívida para com as próximas gerações


Se, de alguma maneira, as gerações anteriores nos deixaram uma dívida, não podemos fazer o mesmo às gerações que nos sucederão.Tudo o que Deus está fazendo em nossos dias, não visa apenas o nosso aprazimento, mas também o benefício das próximas gerações.“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nas regiões celestiais, em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça” (Efésios 2:4-7a).

Tudo o que Deus tem realizado em nossa geração, é um recado às gerações vindouras. A cada nova geração, um maior número de pessoas deve converter-se ao Senhor. E isso se dará pela pregação do Evangelho, e pelo testemunho das gerações anteriores.

Isso está claro em Salmos 22:27-31: “Todos os confins da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; todas as famílias das nações adorarão perante ele, pois o reino é do Senhor, e ele domina entre as nações (...) A posteridade o servirá; falar-se-á do Senhor às gerações futuras. Proclamarão a sua retidão ao povo que há de nascer, pois ele o fez”.

E no Salmo 102:18 lemos: “Escreva-se isto para a geração futura, e o povo que está por vir louve ao Senhor”. E ainda no Salmo 145:4: “Uma geração louvará as tuas obras a outra geração; anunciarão as tuas proezas”.

Chega dessa paranóia de que somos a geração X, aquela que presenciará o arrebatamento. Tal perspectiva nos priva de uma visão mais otimista do futuro da humanidade. Que sejamos a geração que tomará consciência de suas obrigações para com as gerações futuras, e fará alguma coisa, para preparar-lhes o caminho.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Que Futuro?

"Jerusalém gravemente pecou (...) ela não pensou no seu futuro." Lamentações 1:8-9.

Ninguém quis dar ouvidos à advertência dos profetas.

- Jerusalém cairá! diziam eles em uníssono.

Desde que o povo hebreu entrou na Terra Prometida, os anos sabáticos foram negligenciados. De acordo com a ordem divina, podia-se cultivar a terra por seis anos, mas no sétimo, a terra deveria descansar (Lv.25:3-5).

490 anos se passaram, e a terra continuava sendo cultivada ininterruptamente. Interessante que hoje, milhares de anos depois, a ciência comprova que se a terra não descansar a cada seis colheitas, ela perde a produtividade.

Chegara a hora da cobrança. A terra já não suportava mais. E se ela deixasse de produzir, a fome destruiria aquela nação.

Jeremias, em suas Lamentações, afirma que o pecado de Jerusalém foi não pensar no seu futuro. Aquela era uma geração inconseqüente e irresponsável.

Nossa sociedade tem incorrido no mesmo erro. Somos uma civilização imediatista. Só pensamos nas necessidades imediatas.
Enquanto isso, o futuro está sendo sacrificado no altar das conveniências. Nossos rios estão poluídos. Nosso abastecimento de água potável está ameaçado. Milhares de espécies de animais correm o risco de serem extintas ainda este século. Nosso ar está irremediavelmente comprometido pelos gases tóxicos emitidos pelas chaminés das fábricas.

Não temos pensado em nosso futuro.

Se o que se tem pregado em muitos púlpitos for verdade, não temos com que nos preocupar. Afinal, somos a última geração! Infelizmente, é nisso que a maioria dos cristãos crê em nossos dias. Se continuar nesse ritmo, nossa civilização cairá. O papel do profeta não é prever, mas prevenir. Não podemos continuar nessa marcha rumo à aniquilação. Algo precisa ser feito. E o primeiro passo é a conscientização acerca do problema e da responsabilidade que temos como sociedade.

Um dia, a terra vai cobrar! E já está cobrando. A conta é caríssima. Quem vai pagar? As próximas gerações. Em outras palavras, estamos deixando a conta para nossos filhos e netos. Nossa dívida com a terra já está rolando há muito tempo. São juros sobre juros.

O povo de Jerusalém já devia 70 anos sabáticos à sua terra. Em 490 anos, eles jamais atentaram para esse mandamento. Chegara a hora de cumprir a sua parte no trato feito com Deus. Nabudonozor foi o monarca babilônio usado por Deus para remover os judeus de sua terra.

Foram exatos 70 anos de exílio, para que a terra recebesse o descanso devido. Setenta anos sem arado, sem semeadura, sem colheita.

Foi Zacarias quem profetizou já no fim do exílio babilônico: “...Toda a terra está tranqüila e descansada. Então disse o anjo do Senhor: Ó Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém, e das cidades de Judá, contra as quais estiveste irado estes setenta anos?” (Zc.1:11b-12).

O juízo de Deus não se restringe ao aspecto punitivo, mas sempre traz em seu bojo a manifestação da misericórdia de Deus à Sua criação. Quando os judeus chegaram à Babilônia, muitos profetas se levantaram para consolar seus patrícios, afirmando que seu cativeiro duraria pouquíssimo tempo. Porém Deus levantou Jeremias pra garantir àquela gente, que seu cativeiro duraria pelo menos por duas gerações. Não adiantaria murmurar, reclamar, ou promover algum tipo de levante contra aquela situação. Sua terra precisaria de um descanso de 70 anos.

Destoando completamente de seus colegas, Jeremias diz:

“Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os que foram transportados, que eu fiz transportar de Jerusalém para Babilônia: Edificai casas, e habitai nelas; plantai pomares, e comei o seu fruto. Tomai mulheres, e gerai filhos e filhas; tomai mulheres para os vossos filhos, e dai as vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas. Multiplicai-vos, e não vos diminuais”. Jeremias 29:4-6

Em outras palavras, era hora de desfazer as malas, e programar-se para o futuro. Nada de alienação, nem falsas esperanças. Ali era seu novo lar. Em vez de lamentar-se a vida inteira, eles deveria edificar, plantar, comer, construir relacionamentos, criar filhos e etc. Jeremias prossegue:

“Procurai a paz e a prosperidade da cidade, para onde vos fiz transportar. Orai por ela ao Senhor, porque se ela prosperar vós também prosperais”. Jeremias 29:7

Quem disse que nossa prosperidade independe da realidade social na qual estamos inseridos? É claro que Deus é poderoso o suficiente pra nos fazer prosperar a despeito da crise econômica em que nosso país esteja mergulhado. Entretanto, em Sua sabedoria, Deus nos permite passar pelas mesmas situação e adversidades que os demais. Salomão reconhece isso ao declarar: “Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro” (Ecl.9:2).

Ninguém está imune às adversidades desta vida. Portanto, em vez de buscar nosso bem-estar particular, devemos buscar incessantemente o bem-estar de todos à nossa volta. Se nosso país prospera, nós também prosperamos. Se ele sofre, nós também sofremos.

Não consigo entender a indiferença de muitos cristãos para com as questões sociais e ambientais. Parecem pessoas de outro mundo. Todos somos igualmente vítimas dos maus tratos sofridos pelo meio-ambiente. Todos somos vítimas das injustiças sociais.

A alienação constatada no meio cristão é fruto de uma mensagem desequilibrada, que leva as pessoas a acreditarem que esse mundo não tem jeito, e que a única coisa a fazer é esperar pelo dia em que seremos arrebatados ao céu. Pregadores e teólogos regem o côro que diz: quanto pior, melhor. Para eles, isso aceleraria a volta de Jesus. Para eles, simplesmente não há futuro. Pelo menos, não nesta terra. Por isso, os crentes parecem estar sempre de “malas prontas” pra partir daqui. Eles são constantemente alertados: Vivam hoje, como se fosse o último dia. Até que ponto, esse tipo de postura não faz de nós um povo alienado? Ora, se somos a última geração, por que deveríamos nos preocupar com questões como a camada de ozônio, a emissão de gases tóxicos, a má distribuição de renda, e outras questões pertinentes.

Geralmente, os crentes estão mais preocupados com questões de cunho moral, tais como o aborto, o homossexualismo, a liberação das drogas e etc. Não que estas questões não tenham seu grau de importância. Mas o fato é que estamos coando mosquitos, e engolindo camelos o tempo inteiro. Quando Cristo vier, Ele certamente deseja encontrar uma igreja militante, de mangas arregaçadas, trabalhando pela transformação do mundo.

Infelizmente, o que vemos hoje, é uma igreja apática, alienada, gnóstica, e descomprometida com a agenda do Reino de Deus. Se não precisássemos nos preocupar com aquilo que ocorre em nosso mundo, como se isso não nos afetasse, Paulo jamais nos teria admoestado:

“Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda piedade e honestidade.” 1 Timóteo 2:1-2.

Leis que são votadas na surdina no Congresso Nacional, afetam em cheio o nosso cotidiano. Não podemos mais fingir que está tudo bem, nem dar ouvidos aos profetas da comodidade. O mundo não está acabando! Há futuro para a humanidade. Veja o que a boca do Senhor diz:

“Pois eu sei os planos que tenho para vós, diz o Senhor, planos de paz, e não de mal, para vos dar uma esperança e um futuro.” Jeremias 29:11.

Ora, se há futuro para nós, temos que agir hoje, como se fosse o primeiro dia do resto de nossas vidas. Temos que pensar naqueles que nos sucederão. Quando ouço alguns pastores afirmando que o mundo está caminhando para um fim iminente e trágico, tenho vontade de perguntar qual a razão de a maioria deles parecer tão preocupada em construir templos suntuosos. Se não há futuro, não há razão pra construir nada. Cruzemos os braços, e aguardemos o pior.

Mas se há futuro, arregacemos as mangas, e mãos à obra!

E lembremo-nos de que, não é a Terra que será destruída, e sim, aqueles que a destroem (Ap.11:18).